Resíduos de fibras vegetais para obtenção de
material de construção
Um material deixa de ser resíduo pela sua valorização como
matéria-prima, para a produção de novos produtos; neste caso, o resíduo passa a
ser tratado como subproduto do processo produtivo.
Em países tropicais,
os resíduos gerados pela agroindústria da fibra vegetal podem constituir
importante fonte de matéria-prima para a produção de componentes construtivos,
dependendo das quantidades disponíveis e da dispersão geográfica, haja vista os
custos de coleta e transporte.
Alguns pesquisadores relatam diversas experiências realizadas
no Brasil sobre o uso de matrizes à base de cimento reforçado com fibras
naturais, para produção de componentes
construtivos, como telhas, painéis de vedação vertical, caixas d'água e pias de
cozinha.
Em todo o mundo, esses
fibrocimentos alternativos já fazem parte de programas de transferência
tecnológica, especialmente no que se refere a sistemas de cobertura de baixo
custo. Iniciativas dessa natureza
encontram grande interesse econômico e ambiental, nas situações direcionadas à
construção rural e ao aproveitamento de resíduos. Porém, muitos estudos ainda
são necessários, tanto para caracterização da matéria-prima fibrosa, como no
desenvolvimento de novos produtos e métodos de produção.
Estudos realizados para avaliações de disponibilidade e dispersão geográfica
permitiram a escolha de alguns resíduos com maior potencial de aproveitamento
na construção civil, a preços bem inferiores aos de outras fibras substitutas.
Esses resíduos pré-selecionados foram sisal bucha de campo, sisal bucha de
"baler twine", coco pó residual, rejeito de polpa de eucalipto,
banana e malva tipo 4.
Além disso, ganha-se com a menor poluição ambiental, maior
receita para o setor produtivo e utilização de fibras consideradas não nocivas
à saúde do trabalhador da indústria da construção civil.
Sisal: Os resíduos mais abundantes acontecem no desfibramento; cada
tonelada de fibra verde (antes da secagem), a ser comercializada, dá origem a
três toneladas de bucha, assim chamada a fibra de menor comprimento, que se
concentra na base da folha do sisal.
Coco: A agroindústria brasileira dessa fibra pode originar fibras
de 1 a 3 cm (comprimento considerado ideal para reforço de matrizes cimentícias)
hoje pouco direcionadas a outras aplicações.
Algodão e polpa de celulose de eucalipto: As
fibras-resíduo são bastante curtas (comprimento inferior a 5 mm), o que as
direciona para reforço de pastas;
Banana: Fibras de excelente qualidade e regiões geradoras
relativamente próximas de grandes centros populacionais, no sul e sudeste do
país; no entanto, a fibra ainda não é extraída do pseudocaule, em escala
comercial, o que indica que sua utilização, para reforço de componentes
construtivos, é viável apenas a médio prazo.
Outros resíduos de interesse para a construção civil,
denominados refugo, bucha branca e fibras curtas, são aqueles resultantes do
beneficiamento e da produção de fios e cordas: trata-se de fibras de diversos
comprimentos, quase isentas de pó, sem tratamento químico e consideradas
subprodutos, em decorrência do baixo valor de mercado.
Entre os resíduos selecionados com maior potencial de
aproveitamento na construção
civil, a preços bem inferiores aos de outras fibras substitutas destacam-se:
sisal, coco pó residual, rejeito de
polpa de eucalipto e banana.
Além do potencial de aproveitamento, ganha-se com a menor
poluição ambiental, maior receita para o setor produtivo e utilização de fibras
consideradas não nocivas à saúde do trabalhador da indústria da construção
civil.
Estudos futuros serão necessários para melhoria do desempenho
mecânico dos componentes, porém deverá ser mantido o compromisso de baixo custo
de produção.
Referências bibliográficas:
SAVASTANO, J, HOLMER e PIMENTEL,
L. Viabilidade do aproveitamento de
resíduos de fibras vegetais para fins de obtenção de material de construção. Revista brasileira de engenharia ambiental. 2000, vol.4, n.1.
Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-43662000000100019&lng=pt&nrm=iso>.
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– Nº 35
Felipe –
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